Nem todo mundo que quer casa quer casar

Quem casa quer casa. O ditado é antigo, mas não é uma verdade absoluta. Se para a grande maioria, a vontade de se casar é um fator preponderante para se planejar o sonho de conseguir a casa própria, para uma crescente e já significativa parte da população brasileira formar uma família, pelo menos uma nos […]

Quem casa quer casa. O ditado é antigo, mas não é uma verdade absoluta. Se para a grande maioria, a vontade de se casar é um fator preponderante para se planejar o sonho de conseguir a casa própria, para uma crescente e já significativa parte da população brasileira formar uma família, pelo menos uma nos moldes convencionais, já não é o principal motivo para se investir no primeiro imóvel.

Essa mudança possivelmente é um reflexo das mudanças do que é uma família no Brasil. Uma delas, é o crescimento das pessoas que vivem sozinhas. Segundo o  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004, as pessoas que viviam sozinhas eram 10% dos arranjos familiares. No ano passado, eram 14,4%.

O administrador Gabriel Neiva Souza, de 26 anos, está prestes a integrar esse percentual de brasileiros que preferem, ou pelo menos, não se incomodam em morar só. Neste mês de junho ele irá pegar as chaves de seu apartamento de dois quartos na primeira torre do Residencial Ecovillaggio Castelo Branco, no Setor São Francisco em Goiânia. Ao contrário de muita gente, a vontade de formar uma família não foi o motivo para que Gabriel, mesmo bem jovem, já buscasse a conquista do seu primeiro imóvel. “Eu tinha uma certa quantia de dinheiro guardado e queria investir em algo. Então escolhi comprar meu primeiro imóvel. Também já estava querendo ter o meu espaço para uma independência maior”, conta o jovem.

Com uma vida agitada, iniciando sua carreira profissional, Gabriel diz que reconhece o importante passo que deu na vida e que este sonho está sendo realizado, segundo ele, graças a uma ajudinha dos pais, mas também a muita disciplina e organização. “Agora tenho uma conta importante para pagar, isso traz responsabilidade pra gente”, afirma.

Preço e localização

Para Ricardo Teixeira, diretor de atendimento e marketing da URBS-RT, uma das maiores imobiliárias do Estado, os casais jovens ou mesmo aquelas pessoas de 25 a 30 anos que não estão pensando em se casar, mas já planejam a compra de um imóvel, têm duas prioridades em mente: preço e localização. “O jovem, que tem uma vida naturalmente mais agitada, em seu primeiro imóvel busca ter sua liberdade de ir e vir, por isso a localização é sempre uma prioridade, mas o preço é um fator preponderante  para ele. Até porque, depois quando ele tiver uma vida profissional mais estável e consolidada, ele com certeza vai buscar, digamos, um upgrade na sua moradia”, afirma Ricardo.

Para o executivo, as mudanças no perfil dos imóveis de hoje surgiram também muito em função de um novo estilo de vida das pessoas de uma forma geral, não só dos jovens. Segundo ele, a rotina das pessoas é sim mais acelerada e com pouco tempo em casa, por isso uma residência que dê menos trabalho é fundamental hoje. “As coisas mudaram. A nossa vida ficou mais agitada. As pessoas foram ficando sem tempo e nesse sentido essas mudanças nos projetos vieram para atender essa nova rotina. Por isso, as plantas dos imóveis, seja de apartamento ou casas, ficaram mais inteligentes e hoje você tem cozinha, sala e varanda integrados, para que nesse pouco tempo que as pessoas têm em casa possa-se facilitar o convívio das famílias”, destaca.

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